domingo, 22 de janeiro de 2017

Suicídio tem explicação?

Não temos como mensurar o sofrimento de um ser humano que é atormentado pela vontade de dar fim a própria vida.
Muitas pessoas vão simplesmente dizer que é frescura, que a pessoa quer chamar a atenção por estar sentindo pena de si, etc.
O suicídio é um problema de saúde pública não de forma isolada, mas no mundo inteiro. Não se tem dados exatos do número de suicídios que ocorrem, temos apenas estimativas que nos orientam e dão uma ideia de quantas pessoas cometem suicídio anualmente. Mas com base em dados que foram disponibilizados, podemos dizer que o suicídio é responsável por 10 a 15 mortes a cada 100.000 pessoas por ano e que para cada suicídio, existam 20 tentativas mal sucedidas. Por idade existe uma variação  global, de 1,1/100.000 a 51,6/100.000 (OMS,2002), com essa variabilidade de dados, as comparações entre países torna-se praticamente impossível.
Atualmente em alguns países o índice diminuiu,ou estabilizou, o  que não quer dizer que devemos parar de nos preocupar, pois mesmo com índices mais baixos em algumas nações, em outras ocorreu o inverso.

Compreender o suicídio é impossível, já que não existe um fator único para que alguém o pratique. Os fatores são múltiplos e ocultos, fazendo com que torne-se impraticável uma única ação na evitação do ato. Muitos potenciais suicidas não são capazes de dizer o motivo exato que as levam a pensar em dar um fim em suas vidas. Esse processo leva tempo para ocorrer e em seu trajeto existe um sofrimento profundo inexplicável, culminando com a decisão de terminar com a própria vida.
Vejamos alguns fatores que levam um indivíduo ao suicídio:

- alívio das dores psicológicas ou físicas, de natureza emocional;
- desesperança;
- doença estigmatizante;
- alucinações auditivas de comando com conteúdo homicida ou auto-lesivo;
- intoxicação aguda;
- fuga do desespero e do sofrimento;
- delírios grandiosos ou bizarros;
- devoção religiosa;
- uma forma de encontrar um amor falecido;
- uma forma de preservar a honra da família;
- um meio de renascimento;
- um método de vingança;
- um testemunho de nacionalista ou político;
- um meio de tentar reconciliação.

Os profissionais de saúde devem saber reconhecer, avaliar e administrar o paciente suicida, pois muitos de seus pacientes em algum momento de suas vidas podem encarar a possibilidade de suicídio. Muitos pacientes que fazem planos suicidas ou tem pensamentos suicidas, mudarão de ideia antes de tentar o suicídio. Alguns tentam e não são bem-sucedidos, seguindo posteriormente suas vidas produtivamente. Para outros, uma tentativa de suicídio é um evento que o leva a ter o primeiro contato com um profissional que os ajude a enfrentar o problema.  Algumas dessas pessoas podem estar sofrendo de algum transtorno mental, que poderá ter tratamento adequado, Elas podem estar sofrendo de doenças físicas crônicas, outras sofrendo sobrecarregadas de estressores ambientais. Em qualquer que seja a situação, elas podem considerar o suicídio como uma solução variável para seus problemas, ou ainda a única maneira de acabar com o sofrimento. O profissional que está alerta ao risco de suicídio, sabendo identificar e promover intervenções adequadas para o indivíduo suicida, faz com que o profissional de saúde seja capaz de acompanhar o paciente na escolha pela vida e não pela morte. Existem muitos fatores que estão ligados as tendências suicidas, como religiosos, culturais, socioeconômicos e mesmo geográficos. Os profissionais de saúde de diversos países e regiões devem estar preparados para promover intervenções independente do contexto, que diferem, mas os indivíduos são semelhantes.

( Texto escrito baseado no Manual para Profissionais de Saúde - Manejo do Risco de Suicídio do Dr. Stan Kutcher   e Drª. Sonia Chehil  - Médicos Psiquiatras).